Uma ligação aparece no celular com o número do banco. Do outro lado, alguém sabe seu nome, fala de uma compra suspeita e pede que você aja rápido para não perder dinheiro.
Até pouco tempo atrás, ver o número oficial na tela parecia uma confirmação importante. Mas criminosos conseguem falsificar o identificador da chamada para fazer outro telefone parecer o do banco. Essa técnica é conhecida como spoofing.
Agora, uma proteção criada pelo Itaú em parceria com o Google começou a bloquear parte dessas ligações antes mesmo de o celular tocar.
Como a nova proteção funciona
O Itaú informou ao Google quais números oficiais são usados apenas para receber chamadas. Em outras palavras: o cliente pode ligar para esses números, mas o banco não faz ligações a partir deles.
Se alguém tentar fazer uma chamada usando um desses números como disfarce, o Android identifica a inconsistência. A ligação pode ser marcada como suspeita e bloqueada antes de tocar, ficando apenas no histórico do aparelho.
Segundo o Itaú, a proteção funciona em celulares com Android 11 ou superior que tenham algum aplicativo do banco instalado. O recurso atua em segundo plano e não exige que o cliente ative uma configuração.
O Google também anunciou a iniciativa como parte de um conjunto de proteções contra falsificação de chamadas de instituições financeiras.
Isso acaba com o golpe da falsa central?
Não. A novidade fecha uma porta importante, mas não todas.
O bloqueio depende da lista de números que nunca deveriam originar chamadas. Um golpista ainda pode ligar de outro número, usar WhatsApp, enviar SMS ou inventar uma história diferente para tentar convencer a vítima.
Também não significa que toda ligação que conseguir tocar seja verdadeira. O recurso é uma camada extra de proteção, não um selo de autenticidade para qualquer chamada.
Por isso, a regra principal continua a mesma: se alguém ligar dizendo que há um problema urgente com sua conta, desligue e procure o banco por conta própria.
O que o banco nunca pede por telefone
O Itaú orienta que não solicita durante uma ligação:
- senha da conta;
- código do iToken;
- dados completos do cartão;
- transferência para uma conta supostamente segura.
Desconfie também de pedidos para instalar aplicativos, compartilhar a tela, fazer reconhecimento facial ou manter a chamada ativa enquanto você abre o aplicativo do banco.
Esses pedidos aparecem com frequência no golpe da falsa central de atendimento, em que o criminoso cria medo e pressa para impedir que a vítima pare e confira a história.
O que fazer ao receber uma ligação suspeita
- Não confirme dados, senhas ou códigos.
- Desligue, mesmo que o número exibido pareça oficial.
- Abra você mesmo o aplicativo do banco e confira notificações e movimentações.
- Se precisar falar com o banco, use o telefone que aparece no aplicativo, no verso do cartão ou no site oficial digitado por você.
- Se já entregou dados ou fez uma transferência, avise o banco imediatamente e registre um boletim de ocorrência.
Uma barreira útil, mas a decisão final ainda é sua
É uma boa notícia quando bancos e fabricantes conseguem impedir que uma chamada fraudulenta chegue até a vítima. Quanto menos oportunidades o criminoso tiver para contar sua história, melhor.
Mas nenhum recurso técnico consegue bloquear todas as abordagens. Golpistas mudam de número, canal e roteiro. A defesa mais confiável ainda é interromper o contato recebido e iniciar uma nova conversa somente por um canal oficial.
O número na tela pode ser falsificado. Senha, token e transferência não devem ser pedidos em uma ligação. Na dúvida, desligue.